Memória, de Carlos Drummond de Andrade

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coraçao.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangiveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

E o amor será que morre?

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on segunda-feira, outubro 11, 2010



Why does my heart feel so bad?

A vida passa e com ela leva as pessoas, os sonhos, os beijos, os abraços... e o amor morre.
As viagens, os amigos, as noitadas, o choro.. . e o amor morre.
Os livros, a familia, a namorada... e o amor morre.
 Estou sozinho na estrada com o bolso cheio de chaves, mas nenhuma é a do teu coraçao... e o amor morre.
O mar deixou de ser companheiro de risos para ser confidente de dores...e o amor morre.
Mas tu vives, eu vivo, entao porque tem o amor de morrer?

Mea Culpa

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on terça-feira, setembro 28, 2010

Ja aqui disse que ao longo da vida muitas pessoas passam por nós e nem nos apercebemos,contudo felizmente ha aquelas que nos marcam, que contam connosco, com quem nos contamos...
Sou um felizardo nesse aspecto,mas nem sempre soube aproveitar essa dadiva.
Mas errando, aprendemos!
E eu aprendi.
Ou pelo menos assim o espero.
Tive possivelmente o melhor verao da minha vida graças a essas pessoas, mas sei que  nao permiti que o de alguem fosse tao bom quanto o meu.
A essas pessoas peço desculpa, mas escrevo hoje a alguem em concreto que me contemplou com a sua amizade.
Nem sempre estou presente, nem sempre parece que falo a verdade (apesar de o fazer), nem sempre digo o que sinto, nem sempre faço o me apetecia, mas escrevo sempre com o coraçao nas maos.
Porque ja antes me fizeste escrever de madrugada e hoje ainda me fazes...
obrigado pelo que me deste e das, e deixa me dar te o que mereces...


All i need- Air

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on terça-feira, setembro 28, 2010

New Boy

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on terça-feira, setembro 28, 2010

Nao é facil ser professor, mas tambem nao o é ser aluno.
E todos temos algo em comum,algo que nos faz rir, que nos faz chorar...




Here we go again.

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on segunda-feira, setembro 27, 2010

O verao esta prestes a acabar  e o Olvidada parece estar de novo disponivel.
Inicialmente a decisao de fazer um interregno na actualizaçao do blog foi uma opçao, mas com e evoluir do tempo apercebi me que mais que isso, é uma necessidade minha. Chamemos-lhe um"periodo de defeso", potenciado pela actividade profissional de que me ocupo no verao.
Estando entao essa ocupaçao no fim, esta tambem o interregno.

Aos leitores que continuaram a ver o Olvidada, o meu muito obrigado, em especial aqueles que leram a falaram comigo acerca dele.

Assim, e desejando um bom fim de verao a todos, me despeço.

abraços

Por quem?

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on sexta-feira, abril 16, 2010

Há fotografias que nos comovem, nos alegram, nos transportam para um lugar e um espaço.
Depois há aquelas que nos agarram pelos colarinhos, nos abanam e nos acordam para a relidade.
Todos nos queixamos, muitas da vezes sem necessidade, por puro comodismo à nossa situaçao.
A seguinte foto abanou-me.

Por quem choras?
Pelo que que a vida te reserva?
Por fome ou sede?
Por saudades?
Por um futuro Amor que te magoará?
Um amigo que te abandonará?
Um familiar que perderás?
Choras por agora ou pelo futuro?
Pelos teus pais ou teus filhos?

E nós porque choramos?



                                                                     Foto de Lúcia Letra.

Icones de Beleza- Audrey Hepburn

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on sexta-feira, abril 16, 2010



Mais livros, sempre mais livros.

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quarta-feira, abril 14, 2010

Recentemente falei de livros que tinha acabado de ler e que me estava a preparar para começar a ler o 2666 de Bolaño.
Pois ja comecei.
Comecei, e digo que o livro tem me acompanhado para todo o lado, inclusivé quando vou dar aulas.
Segue juntamente com os livros de História de Portugal e de Cultura que me acompanham e de que me faço valer quando os alunos me fazem uma pergunta mais pertinente.
O 2666 era, segundo a intensao do autor, para sair publicado em 5 volumes, o que faria rentabilizar o livro para os herdeiros de Bolaño, aumentando o numeros de exemplares vendidos.
Contudo, e contra as instruçoes do autor, a história foi publicada num volume apenas.
Digo isto porque?
Para explicar que a minha leitura ja progrediu até à 4ª parte do livro, a "Parte dos Crimes".
Contudo se analisarmos o livro em numero de páginas, so ainda devo ter lido cerca de 400  páginas das mais de 1000.
Nao obstante, sinto-me completamente imerso na(s) história(s), apesar e ter achado a parte "Fate" um tanto ou quanto confusa, especialmente no final.
Na obra sentimos a dúvida, o tragédia iminente, o desconforto humano.
Personagens excepcinalmente construidas, com histórias que todos se podem identificar.
É um fiel retrato social e humano.
Aconselho vivamente.
Tenho de admitir que iniciei a leitura com um exemplar da Biblioteca Municipal, mas cedo me envolvi de tal forma que tive de comprar o meu próprio exemplar.
Já se tornou mais que um livro.
É um projecto de leitura, algo que vai acontecendo, a que volto quando me apetece, numa narrativa que cresce à velocidade que quero.
É a diferença de uma grande obra para as de consumo rápido.

Um outro livro que nao ando a ler, mas sim a consultar, é o livro de cultura que me acompanha para as aulas.
"Cultura: Tudo o que é preciso saber", de Dietrich Schwanitz.
O titulo é um pouco pomposo e presunçoso, mas admito que se tornou uma biblia cultural para mim.
Nao o vejo como resposta a todas as minhas duvidas culturais, mas um guia, um dicionário que me da uma panorâmica bastante aberta da Cultura.
Resta-me a mim como leitor decidir se continuo a investigaçao do tema ou se a soluçao apresentada pelo livro me é suficiente.
Desde História Europeia, Literatura, Arte, Filosofia, Linguagem e Geografia, o autor faz-nos mover pela Cultura.
Destaco essencialmente os guias de leituras e resumos das maiores obras mundiais, bem como as idealogias filosóficas de autores como Hegel, Rousseau, Kant, Heidegger ou Nietzsche.
Mais um que nao deve deixar de marcar presença na vossa biblioteca.




Todos merecem uma Serenata ao Luar

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quarta-feira, abril 14, 2010

Porque também ja fui apenas um rapaz em frente a uma rapariga, pedindo-lhe para me amar!

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quarta-feira, abril 14, 2010




I can think of younger days when living for my life

Was everything a man could want to do.
I could never see tomorrow, but I was never told about the sorrow.

And how can you mend a broken heart?
How can you stop the rain from falling down?
How can you stop the sun from shining?
What makes the world go round?
How can you mend a this broken man?
How can a loser ever win?
Please help me mend my broken heart and let me live again.

I can still feel the breeze that rustles through the trees
And misty memories do days gone by
We could never see tomorrow, noone said a word about the sorrow.

And how can you mend a broken heart?
How can you stop the rain from falling down?
How can you stop the sun from shining?
What makes the world go round?
How can you mend this broken man?
How can a loser ever win?
Please help me mend my broken heart and let me live again.

Do que me resta.

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quarta-feira, abril 14, 2010

Cá estamos de novo, e novamente com um pedido de desculpas àqueles que por algum motivo se deparam com o desabafo que é este blog e nao veêm actualizaçoes.

Hoje encontrei por acso o poema de Fernando Pessoa "Sim, sei bem", e com ele me identifiquei.
Tambem eu sei que nao serei ninguem. 
Ninguem sabe o que será nem o que será para alguem.
Tambem eu sei que nao terei obra.
Também sei que nao saberei de mim.
Mas uma coisa sei.
Sei que hoje posso sonhar que serei alguem, que terei obra, que saberei de mim.
Nao me tirem o sonho, pois é tudo o que nos resta...

Sim, sei bem de Fernando Pessoa

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quarta-feira, abril 14, 2010

Sim, sei bem

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

Nao ser, de Florbela Espanca

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on segunda-feira, março 29, 2010

Nao ser

Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!
...

Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...

Primeiro Video-clip que passou na MTV

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on sábado, março 27, 2010

Para acabar com algumas confusoes acerca de qual o primeiro video que passou na MTV, no dia 1 de Agosto de 1981, deixo-o aqui.
O video foi "Video Kill the radio star", dos Buggles, e nao "Money for Nothing" dos Dire Straits, como ja me havia sido dito.

Icones de Beleza- Clark Gable

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on sábado, março 27, 2010


Sou um evadido, por Fernando Pessoa.

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on sábado, março 27, 2010

Sou um evadido

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.



Icones de Beleza- Grace Kelly

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on sábado, março 27, 2010



Felicidade é no Amor um estado anormal

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on sexta-feira, março 26, 2010

" Felicidade é no Amor um estado anormal", Marcel Proust


   Quando se apercebeu estava no Passeio dos Alegres, a sua deambulaçao tinha-o trazido aqui.
Absorto em seus pensamentos nem se apercebeu o quao fria tinha ficado a noite e que tambem começava a choviscar. Os mais afoitos, podiam dizer que o estado do tempo era a representaçao física dos seu estado de espirito.
Talvez, quem sabe?
-Como foi acontecer isto? Perguntou Joao a si próprio.
Aos 36 anos, o seu historial amoroso, nao se podia dizer que fosse curto, e o desgosto também nao era uma sensaçao que nao conhecesse bem.
Joao, enquanto caminhava em direcçao à Foz, tal como o rio que caminha para o seu destino no mar, observava o ondular ritmado dos barcos, as gaivotas que estavam agora em terra e os pescadores nocturnos.
Tanto movimento, tanta acçao a decorrer, e contudo ninguem sabia a dor em que Joao se encontrava.
Sua dor, nao era fisica, nao era espiritual.
Era pior, sofria de amor.
Essa dor, que nos arranca o coraçao, nos impede de pensar objectivamente. Uma dor que se acaricia, se nutre, pois é a manifestaçao fisica de outrém em nós.
Contudo nao sofria um desgosto, sofria da pior forma que se pode sofrer de amor, sofria de dúvida.
-Será que estou a confundir as coisas?
-Que mais nao passa de uma amizade?
-Porra! Isto já me aconteceu e nem assim aprendo. Murmurou.
Sim, Joao ja tinha no passado confundido as coisas, o que lhe custou mais um desgosto.
Tinha sido com Inês. Uma amizade fulgurante que lhe havia parecido um amor fulgurante. Aliás, tinha sido um amor fulgurante, mas apenas para Joao.
Amar é fazer figuras tristes, e ele ja tinha feito a sua quota parte.
Daí a sua reticencia em tomar um decisao e se encontrar "perdido" na Foz do Douro.
Olhou para o relógio que sua Ex-esposa lhe havia oferecido, e que inexplicavalmente nao se conseguia separar, e viu que eram quase 23:45h.
Sentou-se a ver os pescadores e houve um em particular que lhe chamou a atençao.
Um senhor, que deveria facilmente ter idade para ser reformado à bastante tempo, e estava acompanhado de sua esposa.
Vendo isto, e a forma como partilhavam uma pequena ceia à chuva, decidiu-se finalmente;
Pegou no telemóvel que nunca largava, marcou o número de Catarina, que rapidamente atendeu.
-Está sim? Joao?
-Olá Catarina, desculpa incomodar-te a esta hora!
-Está tudo bem, Joao? Perguntou ela.
-Sim, gostava apenas de saber se amanha a noite podemos jantar juntos?
Tenho uma coisa importante para te dizer.
-Penso que sim, joao. Mas que coisa é essa?
-Amanha saberás! Oito e meia no Buhle, na Avenida de Montevideu?
-Sim Joao, ás oito e meia.
.Até amanha entao. Disse ele, e quando ja ia a desligar, ouviu a voz de Catarina.
-Ah Joao, ainda aí estás?
-Sim...
-Tenho saudades tuas Joao!
     ...



Luis F. 2010

Os livros que em mim agora moram.

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quinta-feira, março 25, 2010

Este post mais nao é que uma pequena, pequenissima análise aos livros que nos ultimos tempos tenho lido.
A leitura é uma fuga, um momento de introspecçao, mas simultaneamente de viagem ao mais intimo dos escritores.
Li ainda ontem, no livro "Experiencias", de Martin Amis, que o género da escrita actual  é iminentemente uma auto-análise, a Autobiografia Maior.
Tal denota-se em Saul Below, Philipe Roth e no próprio Martin Amis. Estes tres escritores americanos foram por mim lidos nos ultimos tempos, e fizeram com que a vontade de os ler, os conhecer melhor, seja cada vez maior.
Em boa verdade tenho de dizer que iniciei a leitura do " Experiencias", uma autobiografia de Martin Amis, devido ao facto de tambem ter o seu livro "Money", bem com "Jim o Sortudo", de seu pai, Kingsley Amis.
Queria antes de encetar a leitura destes dois, conhecer melhor as motivaçoes, o intimo dos escritores.
Simultaneamente li mais algumas coisas, nomeadamente o "Caim" de Saramago, em pouco mais de 3h!
Gosto de Saramago e a sua teimosia em nao respeitar a pontuaçao,que nao só nao me incomoda, como me motiva. Aliás, conseguem ver isso, porque a minha pontuaçao na escrita também nao é propriamente a mais convencional.
Caim é um bom livro, de facil leitura, que nos absorve, em especial a quem tem as suas prolongadas reticencias em relaçao à igreja, como instituiçao de Homens.
Nao posso dizer que seja tao maniqueísta como o Saramago, como indubitávelmente que há questoes que ele levanta que me sao muito familiares e próximas.
Como o povo diz "Comer sempre carne tambem enjoa", além destes romances, li um livro técnico.
Contudo é um livro técnico que nao está escrito dessa forma, facilitando a leitura. Falo de "Justiça e Criminalidade no Portugal Medievo", tese de Doutoramento de meu Padrinho de Curso, o ilustrissimo Luís Miguel Duarte.
Acabada a faculdade, mantendo estas leituras, aproximo-me dos 4 anos mais bem vividos da minha vida, ao mesmo tempo que aprendo.
Acabados estes livros, iniciarei novos, que devem começar com o "2666", de Bolaño, um monólito de 1024 páginas, salvo erro, que espero que mantenha um bom ritmo na escrita, pois nao é fácil prender-me a um livro tao longo.
Aliás, apercebo-me agora que nao é fácil a um livro nem a uma pessoa manter-me "preso" em si durante muito tempo!
Um bem haja e um agradeciemento a quem o conseguiu...

Icones de Beleza- Greta Garbo

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, março 25, 2010



O Corpo nao espera, de Jorge de Sena.

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, março 25, 2010

O Corpo nao espera.

O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.



Icones de Beleza- Twiggy

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quarta-feira, março 24, 2010

Iniciarei um novo tópico por aqui, postando alguns dos ícones de beleza de sempre.

Começo entao com aquela que é para mim a mais bonita mulher do mundo, e com a mais icónica combinaçao de olhos, maquilhagem e cabelo.
Meus senhores e minhas senhoras, apresento-vos Twiggy.


Clockwork Orange, Kubrick

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quarta-feira, março 24, 2010

Numa altura em que se fala de Bullying, de violencia, de assaltos, de perda de valores na sociedade, aconselho este filme.
Actual, engraçado, satirico, bizarro, politico, assustador, metafórico.

Clockwork Orange- A Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick.

Só o fogo e o mar podem olhar-se.

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quarta-feira, março 24, 2010

Só o fogo e o mar podem olhar-se. De Eduardo Carranza

Só o fogo e o mar podem olhar-se

sem fim. Nem sequer o céu com suas nuvens.
Só o teu rosto, só o mar e o fogo.
As chamas, e as ondas, e os teus olhos.
...
Só o teu rosto interminavelmente.
Como o fogo e o mar. Como a morte.

Back into business

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quarta-feira, março 24, 2010

Estimados leitores, sei que nos ultimos tempos, o blog tem andado completamente actualizado, e por isso peço desculpa.
Contudo, nao quer dizer que me tenha esquecido dele ou que esteja para fechar!
Apenas devido a algumas impossibilidades de ordem pessoal, nomeadamente a preguiça e o nao sentir necessidade de escrever, levaram a este interregno.
Vamos a ver se apartir de hoje se inicia novamente a actividade aqui n"A Memória.
A todos ( as 3 ou 4 pessoas) que vêm aqui e leem, o nosso muito obrigado e uma vez mais a sinceras desculpas.

Less talk more action / It just wont do- tim Deluxe

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quinta-feira, fevereiro 25, 2010

É o que é preciso...
Acçao ou entao nao isto nao vai dar!




A maior solidão é a do ser que não ama, Vinicius de Morais

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, fevereiro 25, 2010

A maior solidão é a do ser que não ama


A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

Dr. Strangelove Or: How I Learned To Stop Worrying And Love The Bomb' de Stanley Kubrick

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, fevereiro 25, 2010



E a Cena mais conhecida:

Da alma e de quanto tiver, Luís de Camões

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Da alma e de quanto tiver

Da alma e de quanto tiver

Quero que me despojeis,
contanto que me deixeis
Os olhos para vos ver.

Palatul Parlamentului- Palácio do Povo/ Parlamento Romeno

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, fevereiro 18, 2010




O Palácio do Povo, actualmente sede do Parlamento Romeno, foi mandado construir pelo ditador Ceausescu.
Este edificio é segundo o Guiness Book, o mais pesado do mundo, bem como o maior e e mais caro edificio administrativo.
O tamanho e o luxo do edificio é contrastante com a pobreza extrema da populaçao romena durante o regime ditatorial. Os lideres que se seguiram a Ceausescu, referiam-se  ao edificio como a " Casa de Ceausescu", para sublinhar o luxo desmedido em que Ceausescu se fazia envolver.
Para a construçao do edificio froam usados algo como 1 milhao de metros cúbicos de marmore, 3500 toneladas de cristais e 200.000 m quadrados de carpetes.
Entre a construçao do Palácio do Povo e o Centro Cívico, foi necessária toda uma reestruturaçao do Centro Histórico de Bucareste, levando à demoliçao de 19 Igrejas cristãs ortodoxas, 6 sinagogas e 3 igrejas ortodoxas, bem como cerca de 30 mil residencias. (!)
As medidas do edificio sao pura e simplesmeste descomunais, tendo 270m por 240, 82 de altura e 92 no sub-solo. Sao portanto cerca de 1100 divisoes dividias por 12 andares.
No primeiro episódia da Serie 14 do programa da BBC, Top Gear, os 3 apresentadores conduzem os seus carros de alta cilindrada até ao edificio e dentro dos seus túneis.




Meu País desgraçado, Sebastiao da Gama

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Meu País desgraçado


Meu país desgraçado!...

E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas ...

Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anêmico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

Play it Sam! Play "As Time goes by" - Casablanca

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Casablanca.

You must remember this

A kiss is still a kiss
A sigh is just a sigh
The fundamental things apply
As time goes by
And when two lovers woo
They still say ,"i love you"
On that you can rely


No matter what the future brings
As time goes by
Moonlight and love songs
Never out of date
Hearts full of passion
Jealousy and hate
Woman needs man
And man must have his mate
That no one can deny
It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die
The world will always welcome lovers
As time goes by

Bonsais, beleza intemporal

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, fevereiro 18, 2010

A beleza é como o Amor, está "all around us", resta-nos abrir os olhos e olhor à nossa volta.















Poeta castrado nao!, Ary dos Santos

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Em relaçao ao "problema da liberdade de expressao na imprensa"...

Poeta castrado nao!

Serei tudo o que disserem

por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Olha, se faz favor é um bilhete só de ida para o Rio de Janeiro!

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Quero ir para o Brasil.
Estao mais 30 graus que aqui, e depois o Carnaval tem diferenças obvias:


No Brasil: 




Em Portugal:

Soltem-se!

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on segunda-feira, fevereiro 15, 2010

É Carnaval meu povo, soltem a franga que a Vida sao dois dias e os carnaval sao 3!!

Desejo primeiro, Victor Hugo

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on segunda-feira, fevereiro 15, 2010

 Deseja primeiro.


Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes, 

Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você sesentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
Eque pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono dequem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar esofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Signs, vencedor de Cannes 2009.

Posted by Luis Ferreira | Posted in , , | Posted on sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Adoro!!!


Poema do alegre desespero, António Gedeão

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Poema do alegre desespero

Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.

Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

Porque nunca sabemos o que nos está reservado / Parisien Love

Posted by Luis Ferreira | Posted in , , | Posted on quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Marretas.

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quarta-feira, fevereiro 10, 2010






Here you go, again...

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quarta-feira, fevereiro 10, 2010

"Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras.
Emigrando do Oriente, os homens encontraram uma planície na terra de Sinar e nela se fixaram.
Disseram uns para os outros: «Vamos fazer tijolos, e cozamo-los ao fogo.» Utilizaram o tijolo em vez da pedra, e o betume serviu-lhes de argamassa.
Depois disseram: «Vamos construir uma cidade e uma torre, cujo cimo atinja os céus. Assim, havemos de tornar-os famosos para evitar que nos dispersemos por toda a superfície da terra.» O SENHOR, porém, desceu, a fim de ver a cidade e a torre que os homens estavam a edificar.
E o SENHOR disse: «Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projectos.
Vamos, pois, descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não consigam compreender-se uns aos outros.»
 E o SENHOR dispersou-os dali por toda a superfície da Terra, e suspenderam a construção da cidade.
Por isso, lhe foi dado o nome de Babel, visto ter sido lá que o SENHOR confundiu a linguagem de todos os habitantes da Terra, e foi também dali que o SENHOR os dispersou por toda a Terra."

Génesis 11:1-9
 
 
 
 
 
Duas versoes da Torre de Babel. A primeira de Pieter Brueghel, e a segunda de autor por nós desconhecido.


 Deus destruiu a Torre de Babel, pois era o simbolo do poder dos homens. Falando todos uma mesma lingua, uniram-se e criaram uma torre que chegasse ao Céu.
Como forma de travar a ambiçao desmedida dos Homens, Deus destruiu a Torre de Babel, e afastou-os, criando uma multiplicidade de linguas.



Burj Khalifa, em imagens durante a construçao e no dia da inauguraçao.

Num mundo onde já quase toda a gente fala uma lingua- o Inglês, parece-vos que há semelhanças entre as fotos do Burj Khalifa e a "primeira Torre de Babel"?
Fica à vossa consideraçao a reflexao...



Quando eu nasci, José Régio

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Quando eu nasci.


Quando eu nasci,

ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Desencontros!

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on terça-feira, fevereiro 09, 2010

O Sol estava forte e quente, batia-lhe na pele e ela gostava da sensaçao.
A pele a aquecer, a esticar enquanto a água do mar se evaporava, deixando para trás o gosto a sal, o cheiro a mar.
Devia estar em casa, a preparar os relatórios para a reuniao de 2ª Feira, mas nao o queria fazer, nao podia.
Nunca antes fora irresponsável no seu trabalho mas desde que conhecera João, tudo na sua vida se havia alterado.
Moreno com olhos de um castanho profundo, tao intensos quanto o negro dos seus cabelos.  Nao era um homem que passasse incognito, despercebido, era demasiado elegante para tal.
Contudo, demorara a cair nas boas graças dela, mas depois "Do Passeio", como ela gostava de lhe chamar, nao se conseguiam largar.
Dois adultos transformados em adolescentes. Adolescentes apaixonados, irresponsáveis , embevecidos um do outro.
O mundo, aos olhos dela, tinha ganho côr. O céu estava mais azul, o Sol mais dourado, a areia parecia mais fina, os perfumes acentuados, em especial o da sua pele contra a de João,
Deitado a seu lado, olhava-a nos olhos enquanto  lhe acariciava o cabelo encaracolado.
Tudo neles era afecto, tudo era amor.
Juntos o tempo era uma flecha, rápido, nunca suficiente para se explorarem, para se amarem.
Um beijo no nariz, duas maos dadas, fundindo duas pessoas numa só.
Duas metades de um todo.
Ela tinha tinha deixado tudo. A responsabilidade, o emprego, a amiga que precisava de conforto.
Ele também!
Ou pelo menos até ao momento que disse:
- Amo te Clara! Mas tenho de ir ter com a minha esposa que já é tarde...


Luis F. 2010

Há vacas e vacas, e as da cidade merecem...

Posted by Luis Ferreira | Posted in , , | Posted on terça-feira, fevereiro 09, 2010

 Aos interessados numa vaca, para iniciar ou aumentar a colecçao, fica aqui uma da "cidade", que está à venda em www. displaystatues.com, por uns meros 1500 dólares.
Nao dá leite, mas também nao dá despesa como outras vacas da cidade...

Dialética, Vinicius de Morais

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on terça-feira, fevereiro 09, 2010

Dialética


É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

O Destino apenas a nós o fazemos!

Posted by Luis Ferreira | Posted in , , | Posted on terça-feira, fevereiro 09, 2010

A Super Bowl XLIV, equivalente norte americano à final do Campeonato Mundial de Futebol, consagrou os New Orleans Saints, como a melhor equipa de 2010.
Num jogo que opôs os Indianapolis Colts aos New Orleans Saints, este últimos sairam vencedores, levando a euforia de um Mardi Gras antecipado à cidade que lhes empresta o nome.
Contudo, a razao pela qual escrevo, é que o MVP- Most Valuable Player, foi Drew Brees, jogador dos Saints. Em entrevista após o jogo afirmou: "Tudo estava destinado a ser assim, foi tudo destino. Nós simplesmente acreditamos em nós mesmos. Nós sabíamos que tínhamos uma cidade inteira – e talvez um país inteiro – a apoiar a equipa."
Este jogador mostrou que somos capazes de fazer o que queremos, e nao o que nos dizem que podemos fazer.
Desde sempre considerado um jogador baixo (1m83), para os "standards" do Futebol Americano, sofreu um lesao no ombro que segundo os médicos, o impediriam de jogar para sempre.
Com preserverança e inesgotável força de vontade, ultrapassando mesmo o  suicidio de sua mae, tornou-se o melhor jogador em campo, num jogo que coroa os melhores entre os melhores.
É facil escrever e falar acerca das atribulaçoes e preserverança dos outros, mas cabe a cada um de nós tomar as rédeas da sua vida e viver os seus sonhos.
Porque devemos ser felizes pelo que somos e nao pelo que temos potêncial para ser...

Tenho de dar a "mão à palmatória".

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on terça-feira, fevereiro 09, 2010

Gosto, gosto muito, gosto tanto...

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on segunda-feira, fevereiro 08, 2010

E a minha mãe ainda pergunta o que é que vou fazer tantas vezes para a  praia e para o mar...
Santa ignorância!

Obrigado...

Posted by Luis Ferreira | Posted in , , | Posted on segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Uma homenagem a todos os meus amigos, aqueles que me perguntam às Sextas e Sabados à noite, "Onde Vamos?"
E que no Domingo de manha me dizem, que foi a última vez!
Aos presentes, ao ausentes, mas que onde quer que estejam, sao os Meus Amigos!




Os Bêbedos, de José Malhoa 1907

Esperança, Almada Negreiros / Pintura Banhistas, 1925

Posted by Luis Ferreira | Posted in , , | Posted on segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Esperança


Esperança
Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu fi-lo perfeitamente,
Para diante de tudo foi bom

bom de verdade
bem feito de sonho
podia segui-lo como realidade
Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
nada mais do que esperança
pura esperança
esperança verdadeira
que engana
e promete
e só promete.
Esperança:
pobre mãe louca
que quer pôr o filho morto de pé?
Esperança
único que eu tenho
não me deixes sem nada
promete
engana
engano que seja
engana
não me deixes sozinho
esperança.

Justiça

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on segunda-feira, fevereiro 08, 2010

" Ora que pretendo eu? Herzog fez por ser mais claro. que estou eu realmente a pensar? Provavelmente isto: haverei de pôr aqueles dois na barra do tribunal sob juramento, torturá-los, prender-lhes um archote aos pés? Porque? Têm o direito a ser um do outro; parecem mesmo pertencer um ao outro. Ora, deixá-los em paz. Mas a Justiça? - Justiça! Vejamos quem deseja justiça.! A maior parte da humanidade tem vivido e morrido sem ela - absolutamente sem ela. Bilioes de pessoas, durante milénios, suadas, logradas, escravizadas, sufocadas, feridas de morte, enterradas sem mais justiça que o gado. Mas Moísés E. Herzog, gritando a plenos pulmoes de dor e raiva, tem de obter justiça. É o sei Quid Pro Quo, em troca de quanto perdeu, o sei direito como Parte Inocente, Gosto do gatinho, o seu pêlo é tao quente; se nao o magoarmos nao faz mal à gente. Sento-me à lareira, dou-lhe de comer, será meu amigo, que boa que vou ser!"


Herzog, Saul Below

Justiça!
É o que buscamos todos! E poucos de nós a têm.
Justiça no amor, justiça no trabalho, justiça na familia, justiça no grupo de amigos, justiça no desporto, justiça...
Quem nao procura a justiça, é porque no sem âmago, sabe que nao a merece, que está em falta, que o que tem nao foi adquirido justamente.
Quantos de nós nao estao no emprego que merecem?
Quantos incompetentes estao num lugar que deveria ser nosso? Apenas porque o "sistema de cunhas", em Portugal, é quase lei.
Quantos ja foram injustiçados no amor, dando tudo o que tinham, apenas para receber um retumbante nada?
Mas tambem quantas vezes ja fomos nós a nao ser justos? A magoar, a menosprezar, a espezinhar?
Todos somos humanos, mas como seres pensantes, a nossa natureza permite-nos admitir os nossos erros...
Justiça...
Porque quem nao se sente, nao é filho de boa gente!

Tu tens um medo, Cecília Meireles

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on domingo, fevereiro 07, 2010

Tu tens um medo


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno

Love is a fool's game / Falácia do dia

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on domingo, fevereiro 07, 2010

Segundo a lei da auto-preservaçao, os humanos nao sao capazes de se morderem a si próprios até ao ponto de rasgar a pele.
Isto acontece porque todos nós somos egoistas, pomos o nosso bem-estar à frente do das outras pessoas.
Logo, se uma pessoa nao tem este sentido de auto-preservaçao, é porque algo nao está bem, é doida ou doido.
Entao o que acontece a quem coloca a vida de outrém à frente da sua?
E nao falo dum acto heróico, num determinado momento. Falo de de toda uma vida, um Amor, na verdadeira acepçao da palavra, onde esquecemos todo o sentido de auto-preservaçao e nos damos de forma incondicional.
Segundo a tomada de consciencia de que quem nao tem este sentimento de auto-preservaçao e egoismo é doido, quem coloca outrém à frente do seu próprio bem estar, é doido.
Chegamos entao à conclusao que quem ama é louco.
O Amor é de loucos e para loucos...


Mãe, Miguel Torga

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on sábado, fevereiro 06, 2010

Mãe


Mãe:

Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti - não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto - sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Estado de Sitio

Posted by Luis Ferreira | Posted in , , , | Posted on sábado, fevereiro 06, 2010

Ainda em rescaldo das celebraçoes do centenário do nascimento de Carmen Miranda (1909), e em plena celebraçao do centenário da República Portuguesa (1910), venho propor uma alteraçao à imagem da "Sra. República".
Analisando entao, Portugal e os portugueses, estao na fossa, os tribunais nao funcionam ou funcionam mal, (caso Casa Pia, Noite Branca, ...), os politicos sao aldraboes até ao sabugo, os sucateiros têm mais poder ( $ ) do que deviam, empregos nao ha, os professores querem revisao do estatuto, os alunos querem revisao do estatuto, os enfermeiros param porque querem mais dinheiro e direitos, os médicos querem mais dinheiro, os que recebem o subsidio de reinserçao social, qurem mais dinheiro e menos trabalho (!), os empresarios da noite do Porto matam-se uns aos outros, os de Lisboa idem, Sócrates quer controlar a TVI, Mário Crespo é tratado mal, Manuela Moura Guedes continua feia, Alberto Joao Jardim quer mais dinheiro para a Madeira, Fátima Felgueiras tinha um Saco Azul, o projecto do TGV é para ir para a frente, o projecto do novo aeroporto é para ir para a frente, o Zé Povinho vê a vida a andar para trás...

Assim, e sendo nós herdeiros da Revoluçao Francesa e America, nao acham que está na altura de trocar a imagem da Sra. República?
"Isto nao é um país é um sitio. E ainda por cima mal frequentado" ( Eça de Queirós).

É uma República das Bananas, e como tal sugiro que para imagem da república adoptemos a Carmen Miranda. Faz todo o Sentido.


"Bananas is my Business"

Antes




Depois


Can't Take My Eyes Off Of You

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on sábado, fevereiro 06, 2010

Take My Eyes Off Of You- Jeanie Tracy (Brian Norwood)






E a minha versao preferida:

Boys Town Gang - Can't Take My Eyes Off Of You (Radio Mix)


René Magritte

Posted by Luis Ferreira | Posted in , , | Posted on sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Carte Blance






The Son of Man


Ele sabe-a toda!

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Quem disse que " de Espanha nem bom vento, nem bom casamento", enganou-se redondamente.
É que de Espanha veio Miguel de Cervantes (1547-1616), que além de ter escrito  "D. Quixote de la Mancha", escreveu esta pérola:

"Os homens honrados casam-se rapidamente, os inteligentes nunca."

Está para cair um Santo.

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Diego Maradona, que toda a gente conhece como jogador de futebol, treinador da Selecçao da Argentina e inveterado "consumidor de substancias psico-trópicas", vai emprestar a sua imagem, fazendo campanha contra o uso de drogas.
Ora isto, segundo os meus parâmetros, é o mesmo que ter o português Zéze Camarinha a fazer campanha pela abstinencia de sexo...
Nao vai dar bom resultado, mas gosto do empenho!!!

Posso escrever os versos mais tristes/ Poema 20, Pablo Neruda

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Posso escrever os versos mais tristes


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo


Gota de Àgua, António Gedeão

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Gota de Água


Eu, quando choro,
não choro eu.
Chora aquilo que nos homens
em todo o tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas
mas o choro não é meu.

À Espera do Fim, Jorge Palma

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Porque andas confusa, porque somos parecidos,
porque procuramos "uma mao miuda que me assentava como uma luva"




À Espera do Fim

Vou andando por ai
Sobrevivendo á bebedeira e ao comprimido
Vou dizendo sim á engrenagem
E ando muito deprimido
É dificil encontrar quem o não esteja
Quando o sistema nos consome e aleija
Trincamos sempre o caroço
Mas já não saboreamos a cereja

Já houve tempos em que eu
Tinha tudo não tendo quase nada
Quando dormia ao relento
Ouvindo o vento beijar a geada
Fazia o meu manjar com pão e uva
Fazia o meu caminho ao sol ou á chuva
Ao encontro da mão miúda
Que me assentava como uma luva

Se ainda me queres vender
Se ainda me queres negociar
Isso já pouco me interessa
Perdemos o gosto de viver
Eu a obedecer e tu a mandar
Os dois na mesma triste peça
Os dois á espera do fim

Tu tens furtuna e eu não
Podes comer salmão e eu só peixe miúdo
Mas temos em comum o facto de ambos vermos
A vida por um canudo
Invertemos a ordem dos factores
Pusemos números á frente de amores
E vemos sempre a preto e branco o programa
Que afinal é a cores


Palácio de Cristal

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Palácio de Cristal, guardador de amores, confessor de tristezas...



Rosa Loba Faria no Festival da Eurovisao

Posted by Luis Ferreira | Posted in , , | Posted on quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Como todos sabem, faleceu ontem Rosa Lobato Faria.
Conhecida, escritora, e actriz, era tambem letrista, para artistas como o Herman, entre muitos outros.
Para a televisao, escrevia novelas, sozinha (!), como "Passerelle" e "Telhados de Vidro", bem como 4 séries: "Nem o Pai Morre...", "Pisca-Pisca", "Tudo ao Molho e Fé em Deus" e "Trapos e Companhia".
Rosa Lobato Faria, compôs 4 musicas vencedoras do Festival da Cançao, e por isso deixo aqui  2 dessas músicas que por certo que conhecem...





Insana Revoluçao

Posted by Luis Ferreira | Posted in , , | Posted on quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Certa vez, escrevi um texto a que dei o  nome "Da Insanidade", no qual falava acerca do aumento exponencial que a escrita criativa tem sentido nos ultimos anos.
As populaçoes recorrem cada vez mais à escrita como uma terapia, uma fuga à realidade do quotidiano.
Numa sociedade cada vez mais exigente, mais controladora e tecnocrata, a "fuga" é cada vez mais necessária como forma de manter a sanidade mental. Uns escolhem o ginásio, outros a escrita.
Aliado a este facto, está o facto de se sentir tambem a necessidade do contacto com os materiais, o papel, a caneta, em detrimento da impessoalidade proporcionada pelo computador.
A cheiro do papel, o contactao da caneta na pele, o sentir a deslizar no papel, enquanto o texto cresce, se transforma, se contrói perante os nossos olhos e os nossos "demónios" sao afastados...
Este prazer do contacto na escrita, é só semelhante ao contacto com o livro durante a leitura.
Um livro é uma forma de transmissao de conhecimentos, de vivências, mas é tambem um objecto de culto, é táctil e visual, pelo que nao se pode comparar ao formato digital, tipo Kindle ( leitor de E-books).
É o peso do livro, a decoraçao, o formato das letras, o espaçamento entre linhas, o cheiro dos anos acumulados, o estar a ler uma página e com os dedos já na próxima, tal é o nosso empenho e envolvimento na leitura.´
 É o olhar para a estante e ficar orgulhoso da nosso colecçao ou desejoso de a aumentar, é poder emprestar o livro, o coleccionar.
Num leitor de livros digitais podemos guardar e transportar centenas de livros?
Sim, mas qual a vantagem de o fazer, quando na realidade ninguem lê mais que 2 ou 3 livros simultaneamente, isto na melhor das hipóteses!
A Revoluçao Digital na Leitura começou, mas garanto que por minha casa nao vai passar, que eu nao deixo...

Eu sei, mas nao devia; de Marina Colasanti

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Eu sei, mas não devia


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.