Memória, de Carlos Drummond de Andrade

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coraçao.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangiveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Nao ser, de Florbela Espanca

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on segunda-feira, março 29, 2010

Nao ser

Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!
...

Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...

Primeiro Video-clip que passou na MTV

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on sábado, março 27, 2010

Para acabar com algumas confusoes acerca de qual o primeiro video que passou na MTV, no dia 1 de Agosto de 1981, deixo-o aqui.
O video foi "Video Kill the radio star", dos Buggles, e nao "Money for Nothing" dos Dire Straits, como ja me havia sido dito.

Icones de Beleza- Clark Gable

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on sábado, março 27, 2010


Sou um evadido, por Fernando Pessoa.

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on sábado, março 27, 2010

Sou um evadido

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.



Icones de Beleza- Grace Kelly

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on sábado, março 27, 2010



Felicidade é no Amor um estado anormal

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on sexta-feira, março 26, 2010

" Felicidade é no Amor um estado anormal", Marcel Proust


   Quando se apercebeu estava no Passeio dos Alegres, a sua deambulaçao tinha-o trazido aqui.
Absorto em seus pensamentos nem se apercebeu o quao fria tinha ficado a noite e que tambem começava a choviscar. Os mais afoitos, podiam dizer que o estado do tempo era a representaçao física dos seu estado de espirito.
Talvez, quem sabe?
-Como foi acontecer isto? Perguntou Joao a si próprio.
Aos 36 anos, o seu historial amoroso, nao se podia dizer que fosse curto, e o desgosto também nao era uma sensaçao que nao conhecesse bem.
Joao, enquanto caminhava em direcçao à Foz, tal como o rio que caminha para o seu destino no mar, observava o ondular ritmado dos barcos, as gaivotas que estavam agora em terra e os pescadores nocturnos.
Tanto movimento, tanta acçao a decorrer, e contudo ninguem sabia a dor em que Joao se encontrava.
Sua dor, nao era fisica, nao era espiritual.
Era pior, sofria de amor.
Essa dor, que nos arranca o coraçao, nos impede de pensar objectivamente. Uma dor que se acaricia, se nutre, pois é a manifestaçao fisica de outrém em nós.
Contudo nao sofria um desgosto, sofria da pior forma que se pode sofrer de amor, sofria de dúvida.
-Será que estou a confundir as coisas?
-Que mais nao passa de uma amizade?
-Porra! Isto já me aconteceu e nem assim aprendo. Murmurou.
Sim, Joao ja tinha no passado confundido as coisas, o que lhe custou mais um desgosto.
Tinha sido com Inês. Uma amizade fulgurante que lhe havia parecido um amor fulgurante. Aliás, tinha sido um amor fulgurante, mas apenas para Joao.
Amar é fazer figuras tristes, e ele ja tinha feito a sua quota parte.
Daí a sua reticencia em tomar um decisao e se encontrar "perdido" na Foz do Douro.
Olhou para o relógio que sua Ex-esposa lhe havia oferecido, e que inexplicavalmente nao se conseguia separar, e viu que eram quase 23:45h.
Sentou-se a ver os pescadores e houve um em particular que lhe chamou a atençao.
Um senhor, que deveria facilmente ter idade para ser reformado à bastante tempo, e estava acompanhado de sua esposa.
Vendo isto, e a forma como partilhavam uma pequena ceia à chuva, decidiu-se finalmente;
Pegou no telemóvel que nunca largava, marcou o número de Catarina, que rapidamente atendeu.
-Está sim? Joao?
-Olá Catarina, desculpa incomodar-te a esta hora!
-Está tudo bem, Joao? Perguntou ela.
-Sim, gostava apenas de saber se amanha a noite podemos jantar juntos?
Tenho uma coisa importante para te dizer.
-Penso que sim, joao. Mas que coisa é essa?
-Amanha saberás! Oito e meia no Buhle, na Avenida de Montevideu?
-Sim Joao, ás oito e meia.
.Até amanha entao. Disse ele, e quando ja ia a desligar, ouviu a voz de Catarina.
-Ah Joao, ainda aí estás?
-Sim...
-Tenho saudades tuas Joao!
     ...



Luis F. 2010

Os livros que em mim agora moram.

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quinta-feira, março 25, 2010

Este post mais nao é que uma pequena, pequenissima análise aos livros que nos ultimos tempos tenho lido.
A leitura é uma fuga, um momento de introspecçao, mas simultaneamente de viagem ao mais intimo dos escritores.
Li ainda ontem, no livro "Experiencias", de Martin Amis, que o género da escrita actual  é iminentemente uma auto-análise, a Autobiografia Maior.
Tal denota-se em Saul Below, Philipe Roth e no próprio Martin Amis. Estes tres escritores americanos foram por mim lidos nos ultimos tempos, e fizeram com que a vontade de os ler, os conhecer melhor, seja cada vez maior.
Em boa verdade tenho de dizer que iniciei a leitura do " Experiencias", uma autobiografia de Martin Amis, devido ao facto de tambem ter o seu livro "Money", bem com "Jim o Sortudo", de seu pai, Kingsley Amis.
Queria antes de encetar a leitura destes dois, conhecer melhor as motivaçoes, o intimo dos escritores.
Simultaneamente li mais algumas coisas, nomeadamente o "Caim" de Saramago, em pouco mais de 3h!
Gosto de Saramago e a sua teimosia em nao respeitar a pontuaçao,que nao só nao me incomoda, como me motiva. Aliás, conseguem ver isso, porque a minha pontuaçao na escrita também nao é propriamente a mais convencional.
Caim é um bom livro, de facil leitura, que nos absorve, em especial a quem tem as suas prolongadas reticencias em relaçao à igreja, como instituiçao de Homens.
Nao posso dizer que seja tao maniqueísta como o Saramago, como indubitávelmente que há questoes que ele levanta que me sao muito familiares e próximas.
Como o povo diz "Comer sempre carne tambem enjoa", além destes romances, li um livro técnico.
Contudo é um livro técnico que nao está escrito dessa forma, facilitando a leitura. Falo de "Justiça e Criminalidade no Portugal Medievo", tese de Doutoramento de meu Padrinho de Curso, o ilustrissimo Luís Miguel Duarte.
Acabada a faculdade, mantendo estas leituras, aproximo-me dos 4 anos mais bem vividos da minha vida, ao mesmo tempo que aprendo.
Acabados estes livros, iniciarei novos, que devem começar com o "2666", de Bolaño, um monólito de 1024 páginas, salvo erro, que espero que mantenha um bom ritmo na escrita, pois nao é fácil prender-me a um livro tao longo.
Aliás, apercebo-me agora que nao é fácil a um livro nem a uma pessoa manter-me "preso" em si durante muito tempo!
Um bem haja e um agradeciemento a quem o conseguiu...

Icones de Beleza- Greta Garbo

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, março 25, 2010



O Corpo nao espera, de Jorge de Sena.

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quinta-feira, março 25, 2010

O Corpo nao espera.

O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.



Icones de Beleza- Twiggy

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quarta-feira, março 24, 2010

Iniciarei um novo tópico por aqui, postando alguns dos ícones de beleza de sempre.

Começo entao com aquela que é para mim a mais bonita mulher do mundo, e com a mais icónica combinaçao de olhos, maquilhagem e cabelo.
Meus senhores e minhas senhoras, apresento-vos Twiggy.


Clockwork Orange, Kubrick

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quarta-feira, março 24, 2010

Numa altura em que se fala de Bullying, de violencia, de assaltos, de perda de valores na sociedade, aconselho este filme.
Actual, engraçado, satirico, bizarro, politico, assustador, metafórico.

Clockwork Orange- A Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick.

Só o fogo e o mar podem olhar-se.

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on quarta-feira, março 24, 2010

Só o fogo e o mar podem olhar-se. De Eduardo Carranza

Só o fogo e o mar podem olhar-se

sem fim. Nem sequer o céu com suas nuvens.
Só o teu rosto, só o mar e o fogo.
As chamas, e as ondas, e os teus olhos.
...
Só o teu rosto interminavelmente.
Como o fogo e o mar. Como a morte.

Back into business

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quarta-feira, março 24, 2010

Estimados leitores, sei que nos ultimos tempos, o blog tem andado completamente actualizado, e por isso peço desculpa.
Contudo, nao quer dizer que me tenha esquecido dele ou que esteja para fechar!
Apenas devido a algumas impossibilidades de ordem pessoal, nomeadamente a preguiça e o nao sentir necessidade de escrever, levaram a este interregno.
Vamos a ver se apartir de hoje se inicia novamente a actividade aqui n"A Memória.
A todos ( as 3 ou 4 pessoas) que vêm aqui e leem, o nosso muito obrigado e uma vez mais a sinceras desculpas.