Memória, de Carlos Drummond de Andrade

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coraçao.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangiveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Os livros que em mim agora moram.

Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on quinta-feira, março 25, 2010

Este post mais nao é que uma pequena, pequenissima análise aos livros que nos ultimos tempos tenho lido.
A leitura é uma fuga, um momento de introspecçao, mas simultaneamente de viagem ao mais intimo dos escritores.
Li ainda ontem, no livro "Experiencias", de Martin Amis, que o género da escrita actual  é iminentemente uma auto-análise, a Autobiografia Maior.
Tal denota-se em Saul Below, Philipe Roth e no próprio Martin Amis. Estes tres escritores americanos foram por mim lidos nos ultimos tempos, e fizeram com que a vontade de os ler, os conhecer melhor, seja cada vez maior.
Em boa verdade tenho de dizer que iniciei a leitura do " Experiencias", uma autobiografia de Martin Amis, devido ao facto de tambem ter o seu livro "Money", bem com "Jim o Sortudo", de seu pai, Kingsley Amis.
Queria antes de encetar a leitura destes dois, conhecer melhor as motivaçoes, o intimo dos escritores.
Simultaneamente li mais algumas coisas, nomeadamente o "Caim" de Saramago, em pouco mais de 3h!
Gosto de Saramago e a sua teimosia em nao respeitar a pontuaçao,que nao só nao me incomoda, como me motiva. Aliás, conseguem ver isso, porque a minha pontuaçao na escrita também nao é propriamente a mais convencional.
Caim é um bom livro, de facil leitura, que nos absorve, em especial a quem tem as suas prolongadas reticencias em relaçao à igreja, como instituiçao de Homens.
Nao posso dizer que seja tao maniqueísta como o Saramago, como indubitávelmente que há questoes que ele levanta que me sao muito familiares e próximas.
Como o povo diz "Comer sempre carne tambem enjoa", além destes romances, li um livro técnico.
Contudo é um livro técnico que nao está escrito dessa forma, facilitando a leitura. Falo de "Justiça e Criminalidade no Portugal Medievo", tese de Doutoramento de meu Padrinho de Curso, o ilustrissimo Luís Miguel Duarte.
Acabada a faculdade, mantendo estas leituras, aproximo-me dos 4 anos mais bem vividos da minha vida, ao mesmo tempo que aprendo.
Acabados estes livros, iniciarei novos, que devem começar com o "2666", de Bolaño, um monólito de 1024 páginas, salvo erro, que espero que mantenha um bom ritmo na escrita, pois nao é fácil prender-me a um livro tao longo.
Aliás, apercebo-me agora que nao é fácil a um livro nem a uma pessoa manter-me "preso" em si durante muito tempo!
Um bem haja e um agradeciemento a quem o conseguiu...

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