Felicidade é no Amor um estado anormal
Posted by Luis Ferreira | Posted in | Posted on sexta-feira, março 26, 2010
" Felicidade é no Amor um estado anormal", Marcel Proust
Quando se apercebeu estava no Passeio dos Alegres, a sua deambulaçao tinha-o trazido aqui.
Absorto em seus pensamentos nem se apercebeu o quao fria tinha ficado a noite e que tambem começava a choviscar. Os mais afoitos, podiam dizer que o estado do tempo era a representaçao física dos seu estado de espirito.
Talvez, quem sabe?
-Como foi acontecer isto? Perguntou Joao a si próprio.
Aos 36 anos, o seu historial amoroso, nao se podia dizer que fosse curto, e o desgosto também nao era uma sensaçao que nao conhecesse bem.
Joao, enquanto caminhava em direcçao à Foz, tal como o rio que caminha para o seu destino no mar, observava o ondular ritmado dos barcos, as gaivotas que estavam agora em terra e os pescadores nocturnos.
Tanto movimento, tanta acçao a decorrer, e contudo ninguem sabia a dor em que Joao se encontrava.
Sua dor, nao era fisica, nao era espiritual.
Era pior, sofria de amor.
Essa dor, que nos arranca o coraçao, nos impede de pensar objectivamente. Uma dor que se acaricia, se nutre, pois é a manifestaçao fisica de outrém em nós.
Contudo nao sofria um desgosto, sofria da pior forma que se pode sofrer de amor, sofria de dúvida.
-Será que estou a confundir as coisas?
-Que mais nao passa de uma amizade?
-Porra! Isto já me aconteceu e nem assim aprendo. Murmurou.
Sim, Joao ja tinha no passado confundido as coisas, o que lhe custou mais um desgosto.
Tinha sido com Inês. Uma amizade fulgurante que lhe havia parecido um amor fulgurante. Aliás, tinha sido um amor fulgurante, mas apenas para Joao.
Amar é fazer figuras tristes, e ele ja tinha feito a sua quota parte.
Daí a sua reticencia em tomar um decisao e se encontrar "perdido" na Foz do Douro.
Olhou para o relógio que sua Ex-esposa lhe havia oferecido, e que inexplicavalmente nao se conseguia separar, e viu que eram quase 23:45h.
Sentou-se a ver os pescadores e houve um em particular que lhe chamou a atençao.
Um senhor, que deveria facilmente ter idade para ser reformado à bastante tempo, e estava acompanhado de sua esposa.
Vendo isto, e a forma como partilhavam uma pequena ceia à chuva, decidiu-se finalmente;
Pegou no telemóvel que nunca largava, marcou o número de Catarina, que rapidamente atendeu.
-Está sim? Joao?
-Olá Catarina, desculpa incomodar-te a esta hora!
-Está tudo bem, Joao? Perguntou ela.
-Sim, gostava apenas de saber se amanha a noite podemos jantar juntos?
Tenho uma coisa importante para te dizer.
-Penso que sim, joao. Mas que coisa é essa?
-Amanha saberás! Oito e meia no Buhle, na Avenida de Montevideu?
-Sim Joao, ás oito e meia.
.Até amanha entao. Disse ele, e quando ja ia a desligar, ouviu a voz de Catarina.
-Ah Joao, ainda aí estás?
-Sim...
-Tenho saudades tuas Joao!
....Até amanha entao. Disse ele, e quando ja ia a desligar, ouviu a voz de Catarina.
-Ah Joao, ainda aí estás?
-Sim...
-Tenho saudades tuas Joao!
Luis F. 2010

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