Memória, de Carlos Drummond de Andrade

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coraçao.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangiveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Delirio, por Olavo Bilac

Posted by Luis Ferreira | Posted in , | Posted on sexta-feira, janeiro 29, 2010

Delírio

Nua, mas para o amor nao cabe o pejo
na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
-Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciencia bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
e os seus seios, tao rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
-Mais abaixo, meu bem!- num frenesi.

No ventre, pousei a minha boca,
-Mais abaixo, meu bem!- disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...


Olavo Bilac ( Rio de Janeiro, 1865-1918)

Comments Posted (0)

Enviar um comentário