Delirio, por Olavo Bilac
Posted by Luis Ferreira | Posted in delirio , olavo bilac | Posted on sexta-feira, janeiro 29, 2010
Delírio
Nua, mas para o amor nao cabe o pejo
na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
-Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciencia bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
e os seus seios, tao rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
-Mais abaixo, meu bem!- num frenesi.
No ventre, pousei a minha boca,
-Mais abaixo, meu bem!- disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...
Olavo Bilac ( Rio de Janeiro, 1865-1918)

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